Brasileira Ana Carolina canta hoje no Casino de Lisboa


Podem até não saber o seu nome mas os espectadores das novelas brasileiras reconhecem-lhe a voz grave e sabem de cor os temas românticos que acompanham as suas personagens favoritas. Garganta, Nada para Mim, Encostar na Tua, Uma Louca, Nua, são mais de uma dezena os "temas globais" de Ana Carolina. Ela garante que integrar a banda sonora de uma novela não é sinónimo de sucesso mas não despreza o seu poder: "são 50 ou 60 milhões de pessoas ouvindo uma música ao mesmo tempo, é algo que não se consegue em rádio nenhuma".
No concerto desta noite, no Auditório dos Oceanos, no Casino de Lisboa, vão estar apenas 600 pessoas. "Estou um pouco apreensiva, acho que me vou sentir meio nua em palco", revela a brasileira de 31 anos.

Em Portugal, onde se apresenta pela quarta vez, está "ainda começando", no Brasil é um fenómeno. Para aquela jovem que começou a tocar em bares aos 18 anos, o sucesso chegou subitamente com o lançamento do primeiro disco, Ana Carolina, em 1999, que foi disco de ouro e nomeação para o Grammy Latino como melhor álbum pop. "Não estava à espera. De repente era reconhecida na rua, tinha pessoas me abordando." Seguiu-se Ana Rita Joana Iracema (2001) e Estampado (2003), num percurso onde Ana Carolina se foi assumindo cada vez mais como compositora- assina 13 dos 15 temas de Estampado - e construindo o seu universo. A cantora e multinstrunsmentista, que em Dezembro foi capa da Veja dizendo "Sou bi e daí?", já deixou de se preocupar com as comparações com Cássia Eller ou Zélia Duncan, e foi a responsável pelo disco mais vendido no Brasil no ano passado: a colectânea Perfil . E Ana & Jorge, disco e DVD gravados em Agosto num concerto acústico com Seu Jorge, na sala carioca Tom Brasil, já vendeu mais de cem mil cópias. Será lançado ainda este mês em Portugal pela Sony BMG - esta noite, Ana dará um cheirinho cantando É Isso Aí.

Um dia,no Rio de Janeiro, foi assaltada. "Levei um tiro no vidro do carro, estamos em guerra mesmo", comenta. A partir daí, passou a dar mais valor à "vida que é tão curta" e decidiu fazer tudo o que sempre tinha querido. Como por exemplo, desafiar o tropicalista sexagenário Tom Zé para um dueto. "Olá, daqui é Ana Carolina, sou uma cantora mineira e adoro o seu trabalho...", escreveu no mail que enviou a Tom Zé. O músico, conhecido pelo seu bom humor, respondeu na mesma moeda e pouco depois encontraram-se para gravar Brasil Corrupção (Unimultiplicidade). "A música foi feita antes do escândalo do mensalão, foi assim como uma premonição."

Quando foi desafiada pelo amigo Seu Jorge para o tal concerto, Ana Carolina não só decidiu cantar o tema como pediu a outra amiga, a escritora Elisa Lucinda, umas palavrinhas para "dizer antes". Elisa ofereceu-lhe o inédito Só de Sacanagem, texto belíssimo que propõe uma resposta honesta à sacanagem de um país inteiro. A voz grave de Ana Carolina exalta-se quando diz: "Minha esperança é imortal/ Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!"

"'Tá na cara que o Lula sabe de tudo e foi o principal mandante, tenho a certeza absoluta. Nas próximas eleições vou votar no Itamar", explica, com uma pontinha de desilusão. Como figura pública, Ana Carolina sabe que as suas palavras podem fazer a diferença. "Quando era jovem e ouvia o Caetano falar de algumas coisas, quer fosse um tema musical ou político, eu ficava com vontade de pesquisar, de perceber. Pode ser que eu consiga que pelo menos uma garota pare para pensar. Isso é importante."

Fonte: Diário de Notícias

Ana Carolina na festa de inauguração da casa de Alcione


A cantora Alcione fez uma festa na última quarta-feira, dia 5, para inaugurar sua nova casa, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. O rega-bofe foi bem movimentado, e contou com a presença de artistas de todas as áreas, como samba, teatro e MPB.

Miguel Falabella, Renata Sorrah e Maria Bethânia eram alguns dos mais animados. Depois de se deliciar com algumas guloseimas, o trio, ainda na mesa, bateu um longo papo e juntos deram boas gargalhadas.

Taís Araújo, Zeca Pagodinho, Lega Nagle, Antônio Pitanga e Sandra de Sá também passaram pelo local. O ponto alto da festa, no entanto, foi a performance feita pela cantora Ana Carolina, em parceria com a poetisa Elisa Lucinda. As duas encerraram a noite recitando poesias.

Lenine, Jorge Aragão, Lúcia Veríssimo e Elba Ramalho também estiveram por lá.
Fonte: O Fuxico

Especial- ...E daí?






Na semana passada, a cantora Ana Carolina deu uma entrevista a VEJA que contém uma confissão pessoal e ao mesmo tempo é o reflexo de uma mudança e tanto na forma como os jovens brasileiros encaram a sexualidade. Ana Carolina falou sem meias palavras sobre suas preferências. "Sou bissexual", disse ela. "Acho natural gostar de homens e mulheres." O que chama atenção é que ela trata do assunto com leveza. E, é importante frisar, sem ter a mínima intenção de fazer proselitismo em favor de causas políticas. "Sou contra essa postura de levantar bandeiras para defender o homossexualismo, pois fica parecendo que ser gay é uma doença", diz. Ana Carolina é hoje uma das artistas que mais vendem discos no Brasil. Desde 1999 ela lançou quatro CDs, que ultrapassaram a marca de 1,5 milhão de cópias vendidas. Somente neste ano foram 800 000 unidades, mais da metade de toda a carreira. Seu mais recente lançamento, Ana & Jorge, feito em parceria com o cantor carioca Seu Jorge, atingiu a vendagem de 125 000 discos em apenas duas semanas. Não é exagero dizer que 2005 foi seu ano de ouro – e a naturalidade com que expõe sua sexualidade só reforçou seu carisma.
"Acho engraçado quando alguém chega a meu camarim e diz:'Que coragem a sua de cantar Eu gosto de homens e de mulheres!'. Poxa, 'coragem' é uma expressão muito antiquada nessa área" 
Nascida em Juiz de Fora, Ana Carolina vem de uma família de músicos. Seu avô cantava em igreja e a avó era artista de rádio. "Dizem, aliás, que ela teve um affair com o forrozeiro Luiz Gonzaga – mas não me pergunte se foi antes ou depois de conhecer meu avô", conta. Ana Carolina é autodidata: aprendeu a tocar violão, guitarra e pandeiro sozinha. Hoje em dia, diz que domina a "matemática da música", embora ainda não saiba ler partituras. A cantora lembra que na adolescência, ao mesmo tempo em que dava os primeiros passos musicais, já demonstrava interesse por ambos os sexos. "Namorei quatro garotos, depois uma menina, em seguida outro garoto e mais tarde uma menina outra vez", diz. Aos 16 anos, ela tomou a decisão de contar para a mãe que se sentia diferente das amigas. "Fiz isso de supetão. Estávamos falando de um assunto qualquer e eu soltei a confissão, como se não fosse nada. 'Mãe, eu gosto de homens e de mulheres. Dá para a senhora me passar aquele negócio ali, por favor?'" A opção da filha foi respeitada, ainda que mais tarde ela tenha enfrentado cobranças. "Tive de ser mais dura com minha mãe, para reafirmar minha condição. Mas aí ela aceitou de vez, e hoje nos damos bem", conta. 
                                     
"Sempre apreciei as intérpretes que botam tudo para fora ao cantar, como se fosse o últino dia de sua vida. Cantar alto me deixa excitada"
Ana Carolina começou da mesma forma que tantos artistas anônimos: cantava em barzinhos. Seu repertório tinha canções de Edu Lobo e Chico Buarque, além de músicas próprias. "O barzinho é uma escola maravilhosa, desde que você não cante apenas sucessos que tocam na rádio, imitando as versões originais. Desse jeito, você nunca encontra a própria personalidade." Ana Carolina ainda era desconhecida quando encontrou uma figura que marcaria sua carreira: a cantora Cássia Eller. "Quando Cássia foi a um show meu, eu me senti como se tivesse ganho a Cruz de Malta", diz. As duas ficaram amigas e, depois da morte de Cássia, Ana Carolina herdou parte de seus fãs. 

O forte da cantora são as baladas – mas ela faz bom uso de seu vozeirão para lhes dar um toque mais dramático do que intimista. "Cantar alto me deixa excitada", diz ela. Além de compor, Ana Carolina tem gravado canções de medalhões e novos nomes da MPB. Ela tem uma visão realista do gênero em que atua. "Não acredito que surgirão na música brasileira movimentos musicais tão inovadores quanto a bossa nova e o tropicalismo. Mas isso não é o fim do mundo. Vamos fazer música de qualidade, nem que não seja uma revolução", diz. Os shows de Ana Carolina têm público eclético. Há fãs lésbicas que bradam palavras de ordem enquanto ela entoa baladas românticas, e também casais heterossexuais. Quando a cantora apresenta sua versão bossa nova de Eu Gosto É de Mulher, sucesso do grupo de rock paulistano Ultraje a Rigor da década de 80, a platéia sempre se entusiasma. "É uma canção machista, misógina até, mas sempre divertida." Outro ponto alto se dá quando ela interpreta uma música que estará em seu próximo disco, Eu Gosto de Homens e de Mulheres. "De vez em quando alguém chega a meu camarim e diz: 'Que coragem cantar essa música!'. Sempre recebo bem esse tipo de elogio, mas acho que aí está a diferença da minha visão. Acho 'coragem' uma expressão muito antiquada nessa área. Nossas inclinações sexuais não deveriam causar medo."
   Ana Carolina descobriu que era bissexual na adolescência. 
Quando tinha 16 anos, ela decidiu contar à mãe.
"Gosto de homens e de mulheres. Dá para pegar aquele negócio ali, por favor?
" A cantora, no entanto, não descarta a idéia de um dia se apaixonar por um homem. 
"Se isso acontecer, caso de véu e de grinalda, e ninguém irá me impedir." 

Atitudes como a de Ana Carolina atraem dois tipos de oposição. Sua maneira de falar de sexo parece ultrajante para os conservadores, mas também incomoda muitos homossexuais aguerridos, que gostariam de vê-la empunhando a bandeira do arco-íris. Ana Carolina pertence a uma era pós-engajamento. Parte da militância não se conforma com suas negativas a se apresentar na Parada Gay paulistana ou em casas noturnas voltadas a esse público. "Acho que passeatas e discursos no estilo 'nós, os homossexuais' só alimentam uma visão estereotipada", diz. Inspirada por autoras como a americana Camille Paglia, que admira por suas polêmicas no âmbito do feminismo e da cultura gay ("O que mais me incomodou num assalto por que passei foi levarem por acaso um livro dela", brinca), a cantora não quer ser aprisionada num nicho. "Posso até estar saindo com uma mulher, mas se eu me apaixonar por um homem e decidir casar com ele na igreja, de véu e grinalda, ninguém vai impedir", diz.

Fonte: Veja Online

Duas versões para a mesma canção


Imagine a situação seguinte. Ana Carolina aproveita um dia do outono paulistano para ir ao cinema. O filme escolhido foi o belo “Closer — Perto demais”, do diretor Mike Nichols, uma história de amor, de relações, traições entre dois casais formados por Julia Roberts, Jude Law, Natalie Portman e Clive Owen. A cantora se encanta com a música e resolve fazer uma versão para “The blower’s daughter”, do badalado Damien Rice. A uns 400 quilômetros dali, numa salinha do Leblon, no Rio de Janeiro, Simone tem a mesma idéia e encomenda para a amiga Zélia Duncan uma versão da mesma canção. E o mais curioso: as duas chegam ao mercado no mesmo momento.

A versão de Zélia, “Então me diz”, faz sucesso na novela “Belíssima”, da Rede Globo, embalando romance da personagem Julia, vivida por Glória Pires, e André, por Marcello Antony. A de Ana Carolina, “É isso ai”, integrará o álbum que ela lança mês que vem juntamente com Seu Jorge e está estourada nas rádios.

Nenhuma das duas cantoras reivindica a originalidade da idéia, que, pensando bem, não chega a ser tão original assim; mas esta é, possivelmente, a primeira vez que duas versões da mesma música chegam ao mesmo tempo ao mercado.

Nem Mariozinho Rocha tinha visto algo parecido. Esta coincidência surpreende até mesmo o poderoso diretor musical da Rede Globo, Mariozinho Rocha, que se encantou, assim como o autor Silvio de Abreu, quando recebeu a versão de Zélia Duncan. Ele diz que em toda a sua vivência na televisão nunca tinha visto algo parecido. — É muito raro quando duas cantoras gravam a mesma canção, mas isso ainda acontece. Agora, duas versões diferentes da mesma música eu nunca vi. Aliás, eu nunca tinha visto algum artista autorizar a gravação de duas letras diferentes — conta.

Mariozinho diz que desconhecia a versão de Ana Carolina, por isso não houve escolha entre as duas músicas. — A da Ana Carolina chegou depois às minhas mãos e, mesmo que eu quisesse, não seria ético deixar de gravar a da Simone, que já estava escolhida. Gosto muito do resultado das duas. A da Simone, mais romântica; a da Ana, mais vigorosa — define. — Mas eu realmente não imaginava.

A empresária da Ana Carolina disse que ela não iria gravar este ano, tanto que lançamos, pela Som Livre, uma coletânea dela na série Perfil. Acredito em uma grande coincidência, pois as cantoras envolvidas são muito cuidadosas com suas carreiras.

E Ana Carolina não iria mesmo gravar este ano. Mas, ao receber um convite de Seu Jorge para um show em parceria no projeto Tom Acústico, da casa Tom Brasil, em São Paulo, aceitou na hora. O resultado foi a gravação de um CD e DVD. E lá estava a versão da música de Damien Rice... — Vi o filme e fiz essa versão no inicio do ano. Acho o Damien Rice um cara incrível. Mostrei-a para o Jorge, que gostou, e a incluímos no roteiro. Gravamos os shows, e a música foi um sucesso espontâneo. Fui saber da versão do disco da Simone pouco tempo antes de ela entrar na novela — diz. — Foi realmente uma coincidência. Nunca vivi algo parecido. Mas também não vejo problema. A música é linda e quem ganha é o público.

Simone conta que, poucos dias depois de ver o filme, já com a idéia na cabeça, recebeu a visita de Zélia e pediu uma letra. — Na mesma hora Zélia começou a escrever os primeiros versos. Ela é de uma criatividade impressionante. Nunca vi algo parecido acontecer, mas o quem eu posso fazer? Fiquei e ainda estou chateada, não com a Ana Carolina, claro, já que acho mesmo que foi uma coincidência, mas com a situação— explica. — A letra da Zélia é perfeita. Procuramos respeitar a melodia, traduzir o sentimento do autor.

Simone não cantou a música na gravação do CD e DVD, também em agosto, ao vivo, no Teatro João Caetano, mas a incluiu como faixa-bônus. Zélia acha que houve descaso de Damien Rice . Zélia Duncan também põe panos quentes na história. Mas não perdoa o autor, Damien Rice, que, para ela, agiu com um certo descaso. — Fiz a música com o maior carinho e ficamos um tempão esperando a autorização do autor, que mostrou um descaso com sua música e com um país que certamente não lhe interessa. Acho também que foi obra do acaso, uma enorme coincidência. Quanto a duas pessoas gravarem a mesma música, não acho nada demais, cada um faz sua leitura — explica. — Aliás, a melhor coisa da história toda é ver que as pessoas têm muitas opções.

As versões, assim como as interpretações, são radicalmente diferentes. O curioso é que as três, Ana Carolina, Simone e Zélia, fizeram muito sucesso com versões. Ana Carolina estourou nacionalmente com “Quem de nós dois”, versão para “La mia storia tra le dita”, do italiano Gianluca Grignani, do disco “Ana Rita Joana Iracema e Carolina”. Zélia tinha muitos anos de estrada em 1995, quando “Catedral”, letra sua e de Christian Oyens para “Cathedral song”, de Tanita Tikaran, tornou-a popular. Já Simone tem em seu currículo, entre outras, “Então é Natal”, sobre “Happy xmas (War is over)”, de John Lennon e Yoko Ono.

Fonte: o Globo

Ana Carolina, lá no último andar

Foi no nono dia do mês de setembro há 31 anos, num cantinho tranqüilo de Juiz de Fora. Veio à luAna Carolina Souza, uma virginiana, geniosa e instável como tal. Apenas dois meses
depois faleceu seu pai, e a Música preencheu-lhe o posto e cedeu seu largo ombro para aliviar qualquer dor. A avó cantava em rádio, os tios-avós eram músicos, nada mais natural do que correr melodia no sangue. Em casa, os vinis eram quem mandavam e D. Aparecida, sua mãe, cantarolava pelos cômodos sucessos de Dalva de Oliveira. Ana treinou os ouvidos com Cartola, Geraldo Pereira, Lupicínio... e não à toa herdou dos antigos mestres do samba a inquietação da batucada. A menina já fazia do salão de cabeleireiro da mãe o seu palco, fingia ser microfone um simples rolo de cabelo e cantava versos de Caetano e cia.
Com a idade de apenas uma dúzia de anos, começou a tocar violão, assim de ouvido, inspirada pelo também mineiro João Bosco. Com o pandeiro também foi assim: aos 19 ouviu os batuques de Marcos Suzano, no disco Olho de Peixe, e quis tocar igual. Pegou um jeitinho aqui, outro acolá, e inventou seu próprio estilo. O cantar foi só conseqüência. E quem dera todas as conseqüências fossem tão sublimes assim... Começou profissionalmente na 18ª primavera, nos barzinhos da cidade, e o repertório era Jobim, Chico, Ary Barroso e mais quinhentos clássicos. Nesse cenário, Ana conhecera Luciana David, àquela época uma estudante de Comunicação, que gostou do que ouviu e se tornou sua eterna empresária. Para variar, surgiram convites de mais bares nas cidades vizinhas e lá iam elas a bordo de uma boa e velha Parati... As composições ficavam na gaveta, escondidinhas debaixo de um complexo de inferioridade.

Contudo, a preocupação com os estudos não minguou. Ana fez cursinho pré-vestibular e ingressou no curso de Letras, na Universidade Federal de Juiz de Fora. Ao mesmo tempo, convidaram-na para shows maiores, como um no Teatro Municipal com produção da atriz Zezé Motta e a abertura do concerto da Orquestra Internacional de Ray Conniff, em 97. Depois de um dos muitos shows em Belo Horizonte, um rapaz chegou ao camarim com a letra de uma música, que compôs enquanto a assistia. Ele era o compositor gaúcho Totonho Villeroy e se tornaria um dos seus melhores amigos e parceiros, a música era "Garganta", traduzia muito bem sua personalidade e seria seu primeiro sucesso. "Depois me lembrei que conhecia Totonho, eu tinha ido a um show dele no Rio, no Mistura Fina, e adorei, tanto que comprei os dois discos independentes dele”*, lembra ela.
Até que desembarcou naquela cidade, em fins de 98, num capítulo decisivo para dar uma guinada nos rumos dessa sua biografia. Apresentou-se no Hipódromo e no famigerado bar Mistura Fina, e na platéia deste último estava uma outra Luciana, de sobrenome famoso: a rebenta de Vinícius de Moraes. Uma fita demo nas mãos da moça bastaria. Depois de quinze dias, com propostas de duas gravadoras acumuladas nas mãos, Ana já estava sentada assinando com a BMG. Mudou-se imediatamente para o Recreio dos Bandeirantes, abandonou o sexto semestre da faculdade e começou a produção do seu primeiro CD, Ana Carolina, que chegou às lojas em abril do ano seguinte. Ana cercou-se de grandes músicos, assinou arranjos, tocou guitarra em algumas faixas, colocou 5 ótimas composições suas, gravou a música de Totonho e regravou duas de Chico ("Retrato em Branco e Preto" e "Beatriz"), seu ídolo-maior e por quem foi imediatamente convidada para emprestar a voz a duas belíssimas músicas do Songbook Chico Buarque, “Mil perdões” e “Eu te amo”.

Naquele mesmo ano, encaixou duas músicas em novelas das 7 da TV Globo. "Garganta" foi parar em Andando nas Nuvens e "Tô Saindo" parou na sucessora, Vila Madalena. A primeira estourou nas rádios de todo o país, fez Ana despontar e provocou uma extensa turnê. "Nada pra Mim" - uma inédita composta por John, do mineirinho Pato Fu - integrou a trilha de Malhação, em 2000, mesmo ano em que veio a surpreendente e merecidíssima indicação à primeira edição latina do Grammy, na categoria brasileira de melhor álbum pop contemporâneo. O prêmio quem abocanhou foi Milton Nascimento, por Crooner, mas tudo bem. Ana Carolina ainda ganhou disco de ouro pelos 160 mil discos vendidos e foi apontada como "a grande promessa da MPB", comparada com Cássia Eller e Zélia Duncan. Nada mal.

Depois da virada do milênio, em abril de 2001, o segundo CD, Ana Rita Joana Iracema e Carolina, veio mais autoral, com 10 letras de próprio punho. Já chegou às lojas com 100 mil cópias vendidas, ficou duas semanas como o 2º mais vendido no Rio e em Sampa, em 15 dias já foi contemplado com disco de ouro, depois platina, e ultrapassou a marca de 300 mil exemplares. Tanta loucura foi por causa do hit "Quem de nós dois" (versão de Ana e Dudu Falcão para um sucesso italiano dos anos 90), que fez parte da trilha de mais uma novela das 7, Um Anjo Caiu do Céu, e simplesmente foi a música mais executada no país naquele ano! Só quem é surdo não escutou.

No mês seguinte ao lançamento, às cinco da manhã de 1º de maio - uma data trágica desde 1994 -, Ana saía do apartamento de Paulinho Moska no Leblon em direção ao seu, na Barra, quando na Av. das Américas perdeu o controle do seu Mercedes Classe A, que se espatifou contra um poste. Ainda lúcida, foi resgatada por uma ambulância do Corpo de Bombeiros e internada na UTI do Hospital Barra D'Or. Houve fratura da tíbia e um corte na cabeça, bem acima da orelha, onde foi necessário dar 30 pontos e raspar uma pequena parte do couro cabeludo. Por sorte, nada grave. Ufa... O início da turnê do disco precisou ser adiado, mas a cantora voltou logo ao batente e, mesmo um pouco podada pelo gesso na perna esquerda, fez shows inesquecíveis.

Êita ano corrido! Veio "Ela é Bamba" na novela seguinte, As Filhas da Mãe; duas composições ("Velas e Vento" e "Margem da Pele") para a trilha do filme Amores Possíveis, de Sandra Werneck; música-tema ("Grito Sozinha") no filme Condenado à Liberdade, de Emiliano Ribeiro; convite para uma participação especial cantando “Mama Palavra” no álbum de João Bosco, Na Esquina Ao Vivo; e a composição de "Pra Rua me Levar" a pedido de ninguém menos do que Maria Bethânia para o disco desta, Maricotinha. Em outubro do ano seguinte, gravou um CD com versões em espanhol dos sucessos "Quem de nós dois", "Garganta" e "A canção tocou na hora errada", visando o mercado da parte norte da América.

Em agosto de 2003, seu terceiro filho, batizado de Estampado, vem ao mundo. A mãe, orgulhosa, diz que ele tem a sua cara. O caçula é mais rock'n'roll, o violão nervoso de Ana guia todos os seus batimentos, e os gritos são mais do que confissões: uma rajada de voz vem bombeada pelo coração. São 13 canções próprias e novos parceiros, como Chico César e Seu Jorge, que introduzem seus DNAs e deixam o rebento bem mulatinho e cheio de suingue. Emplaca hits em três novelas das 8 consecutivas: a baladinha "Encostar na tua" em Celebridade; a explosiva "Uma louca tempestade" em Senhora do Destino; e a calminha "Pra Rua me Levar", atualmente em América. Além dessas, "Nua" integrou a trilha de Como Uma Onda, novelinha das 6. É o bastante para alavancar a venda de quase 500 mil CDs e deixá-lo 80 semanas seguidas no ranking dos mais vendidos. Até o “eu vou de escada pra elevar a dor”, refrão do carro-chefe “Elevador”, mesmo com o trocadilho - maldito para alguns -, grudou que nem chiclete na boca do povo.

Lança então 2 DVDs, ambos platinados, com venda superior a 50 mil cópias cada. O primeiro é Estampado, um documentário que contém os bastidores da gravação do disco, a fase de composição, gravação e finalização, bate-papos com João Bosco, Chico Buarque e Maria Bethânia, uma reunião entre amigos animadíssima no apartamento da cantora, a composição grupal de "Perdi, mas não esculacha", leitura de um texto da escritora Elisa Lucinda, performance de voz e violão no estúdio, além de um pequeno show ao ar livre, no Largo da Carioca, Rio. Tudo dirigido pela fotógrafa Mari Stockler (do documentário Gaivota, 99). Meio frustrante para quem quer mais música e menos conversa.

Para agradar a gregos e troianos, vem o segundo: Estampado - Um Instante Que Não Pára, totalmente incendiário. Gravado num Claro Hall lotado com 9 mil histéricos, apresenta uma versão chiquérrima do show de divulgação do disco, com direito a quarteto de cordas, à harpa dulcíssima de Cristina Braga e versos de E. E. Cummings e Benjamin Constant. Isso tudo além da versão caprichada de "Vestido Estampado" só com voz, violoncelo e isqueiro, de arrepiar qualquer mortal que já deixou ou foi deixado. E mais: "Sinais de Fogo", composta para a amiguinha Preta Gil, "Outra Vez", lindíssima versão do clássico do Rei, e "Eu Gosto é de Mulher", sucesso de 20 anos atrás do Ultraje a Rigor, agora transformado em discurso gay. Sucesso absoluto. Na parte interativa, um making of e uma rápida brincadeira intitulada "Onde está Ana?", em que a cantora se infiltra disfarçada na platéia, minutos antes de subir ao palco, e passeia incógnita entre a histeria e ansiedade dos milhares de fãs. Gol de placa da diretora Monique Gardenberg (do filme Benjamim, 2004).
Em 2005, chegou ao mercado Perfil, uma coletânea de sucessos que logo alcançou o lugar
mais alto no ranking dos mais procurados, com mais de 320 mil exemplares desaparecidos das lojas. Ana também assina "Ultra-Leve Amor", primeira música de trabalho do novo CD de Jorge Vercilo, Signo de Ar, além de outra faixa, "Abismo". Em shows recentes, já apresentou composições novas, como "Notícias Populares" (anti-violência, após o vidro de seu carro ser atingido por uma bala perdida), "Unimultiplicidade", parceria com Tom Zé anti-corrupção, "É Isso Aí" (versão para o sucessão "The Blower's Dawghter", do irlandês Damien Rice) e "Eu Gosto de Homens e de Mulheres", confissão bissexual para contrabalançar a polêmica música do Ultraje, e que entrará no próximo disco, prometido para 2006. Sobre as comparações com a música "Meninos e Meninas", de Renato Russo, Ana Carolina discorda: "O meu é mais adulto, são homens e mulheres. Meninos e meninas na verdade eu não gosto"*, diverte-se.

* entrevistas concedidas ao jornal O Globo


Fonte: Poppycorn

Ana Carolina comemora aniversário em show no Rio


 Ana Carolina fez do show de Caetano Veloso e Milton Nascimento, na noite de quinta-feira (8), parte da comemoração de seu aniversário. A cantora completou seus 30 anos na data e foi festejar com os pais, Orlando e Aparecida, e com amigos no Canecão. 

- Foi um grande presente! Sou fã dos dois. Já toquei música do Caetano e do Milton em meus shows. Eles fazem parte da minha influência, como artista nova que sou. É muito bom ser brasileira porque a gente pode ter a influência desses mestres, elogiou a aniversariante.


Após a apresentação, amigos de Ana Carolina, como Preta Gil e Daniela Mercury, puxaram o tradicional Parabéns para Você e literalmente fizeram a festa com a cantora. Beijos, abraços e algumas risadas depois, Bruno Gagliasso se juntou ao grupo e, animado, puxou novamente a canção de parabéns. 


- Vamos comemorar, disse o ator aos pais da cantora.
O grupo decidiu estender a noite na festa organizada pela produção do show, que marcou o lançamento da trilha sonora do filme O Coronel e o Lobisomem. Durante o coquetel, Ana Carolina foi homenageada de novo, desta vez, com direito a um bolo. 



Fonte: Perfil News

Ana Carolina toca música inédita

Quem estava no Tom Brasil em São Paulo neste final de semana pôde conferir muito mais do que músicas de Ana Carolina e Seu Jorge. No palco os artistas interpretaram grandes sucessos das carreiras, cantaram juntos e animaram o público paulistano.Mas para os fãs da cantora Ana Carolina, a apresentação foi de grandes surpresas. Depois de ter colocado nas lojas o disco “Estampado” de 2003, mais recente trabalho, a mineira cantou pela primeira vez uma música inédita.

Mesmo sem adiantar se a canção fará parte de seu próximo repertório, Ana Carolina contou ao público qual foi sua grande inspiração para compô-la. A letra foi feita depois que a cantora sofreu um assalto no Rio de Janeiro há dois meses e teve o vidro do seu carro acertado por um tiro. Com o título de “Noticias Populares” a música caiu no gosto do público.

Fonte: Canal Pop