Preta Gil canta com Ana Carolina em Salvador


A cantora Preta Gil, filha do ministro da Cultura, Gilberto Gil, puxou na noite desta segunda-feira, penúltimo dia de Carnaval em Salvador, o trio elétrico que até o ano passado pertencia ao pai, o Expresso 2222. Ela cantou ao lado de Ana Carolina.

As duas passaram na avenida Oceânica, na Barra, até o camarote de Daniela Mercury, de onde Ana Carolina deixou o trio para Preta prosseguir até Ondina, onde termina o circuito.

Já a cantora Daniela Mercury levou a seu trio, no bloco Crocodilo, a cantora angolana Katiliana, 20, revelada no programa "Operação Triunfo", o "Fama" da TV portuguesa, que está em Salvador para realizar uma reportagem sobre o Carnaval.

Juntas, elas cantaram o samba "Madalena". Depois, Katiliana entoou sozinha "I'll Survive", de Gloria Gaynor.

Neste ano, Daniela voltou a puxar o Crocodilo, do qual apenas vinha participando como convidada nos últimos anos. No ano passado, por exemplo, ela saiu junto de Ricardo Chaves, que tinha se tornado o titular do bloco, e levou à avenida a top Gisele Bündchen.

Quem está em Salvador também é o cantor de forró Tato, do Falamansa. Ele chegou hoje a Salvador e deve sair no último dia de Carnaval em algum trio.


Fonte: Folha Online

Preta Gil tira a virgindade de Ana Carolina


Como ministros não podem receber patrocínios culturais, Gilberto Gil dividiu o cetro do Expresso 2222 entre Daniela Mercury e Preta Gil, que desfilou na noite de hoje. A filha do Ministro da Cultura convidou Ana Carolina e para dividir as responsabilidades: "Gente, tiramos a virgindade da Ana Carolina! Doeu?", perguntou para a convidada.

Preta deu a partida no "trem" com uma música do pai e depois passou o microfone para Ana Carolina, que engatilhou Elevador e Garganta. As duas se juntaram para cantar Sinais de Fogo, primeiro e único sucesso de Preta Gil, assinado por Ana Carolina.

Gilberto Gil acompanhou a perfomance da filha do camarote Expresso 2222. O baiano aplaudiu, acenou para o trio e, mesmo de longe, deu orientações para a técnica.

Na passagem pelo camarote de Daniela Mercury, Ana Carolina trocou de lugar com o grupo Psirico e já engatilhou uma cantada: "No Psirico só tem gato! Tem dois que eu quero pegar. Você acreditam que ainda não peguei nada nesse carnaval? Nem gripe!"

Em tempo: Preta Gil levou bailarinos sarados e sem camisa para cima do trio. Um deles de uma perna só e dançava de muletas.

Fonte: Terra

MPB em DVD


A música brasileira toma força no mercado da imagem digital. No final do ano, Caetano, Cássia Eller, Ana Carolina, Zeca Pagodinho, Tom Zé e Luiz Gonzaga ganharam lançamentos em DVD. Confira:


A fina estampa de Ana
Ana Carolina é o tipo de artista que merece mais um DVD que um CD, é caso de intérprete em que imagem, movimento e voz formam uma trama, um tecido. E o DVD Estampado não poderia ter nome melhor. Muito bem dirigido por Mari Stokler, acaba reunindo todas as facetas de Ana Carolina. As partes mais reveladoras são quando a cantora se encontra com alguns de seus ídolos. Frente a frente com João Bosco, elogia o mineiro dizendo que foi ouvindo Escadas da Penha que ela se inspirou para criar seu estilo de samba. Tocando e cantando Retrato em Branco e Preto para um Chico Buarque absolutamente embasbacado, ela descobre que divide com o compositor o vício de adivinhar se uma palavra tem número par ou ímpar de letras. Com Maria Bethânia, é a vez de o ídolo babar pela fã, quando a baiana roga à amiga "Faz aquilo que é bonitinho", um meneio a mais na voz.

Os processos de composição de Ana Carolina também aparecem, ora quando ela cria com o gaúcho Totonho Villeroy, ora quando escreve com Chico César, e mais ainda numa sensacional noite de diversão, pandeiro e violão quando ela, Totonho, Elisa Lucinda e Seu Jorge compõem Perdi, mas Não Esculacha. E há Ana Carolina cantando ao ar livre sucessos como Garganta, Ela É Bamba e Confesso, explorando o intimismo de voz e violão para lembrar Gente Humilde e Hoje Eu Tô Sozinha, produzindo suas canções na intimidade do estúdio com Liminha. O DVD Estampado (lançamento BMG) custa, em média, R$ 55.

Fonte: Zero hora

Ana Carolina lança DVD no cinema

Assim como vêm fazendo os principais artistas no exterior, a cantora Ana Carolina anunciou que o lançamento de seu DVD será em uma sessão de cinema. Intitulado “Estampado”, mesmo nome do álbum, o material será exibido no próximo dia 20 de Outubro, às 21 horas, no Espaço Leblon de Cinema, no Rio de Janeiro.

O DVD trará participações ilustres de Chico Buarque, Maria Bethânia, João Bosco entre outros e foi dirigido por Mari Stockler.

Fonte: Território da Música

Sucesso - Pinceladas musicais

Leandro Pimentel
“Faço telas para os amigos, até parede já pintei”, diz Ana Carolina

A cantora e compositora Ana Carolina lança CD com músicas inspiradas em telas pintadas por ela que fazem parte do encarte do disco

Com a voz e o violão, a cantora Ana Carolina, 28 anos, já vendeu mais de 550 mil cópias de seus dois primeiros discos – Ana Carolina (1999) e Ana Rita Joana Iracema Carolina (2001). Para o terceiro CD, Estampado, que já vendeu 100 mil cópias desde agosto, ela lançou mão de outro recurso. Foi pintando telas carregadas de grafismo, num ateliê improvisado em seu apartamento, que a compositora deu as pinceladas finais nas 15 músicas do disco. “Tenho que ver as músicas que faço, é meio neurose mesmo”, explica, bem-humorada.

Exibidas em parte no encarte do novo CD, as telas foram todas criadas da mesma maneira. De posse das primeiras gravações das músicas feitas em estúdio, só com sua voz e violão e sem os demais arranjos, Ana escutava as canções enquanto pintava. “Prestava atenção no quadro mas a música estava ali. Dava um distanciamento maravilhoso para que surgissem idéias de como deveria ser a cara da canção”, explica. A cantora já tinha experimentado a técnica no segundo disco, mas com outro estilo e sem a mesma assiduidade. “Ali não era tinta. Era spray, pichação mesmo, sem essa história de fazer uma tela para cada música”, diz ela, autora – sozinha ou em parceria – de 13 das 15 músicas do novo disco.

“O Seu Jorge diz que sou meio forte, grandinha, e que não levo desaforo para casa. E ele tá certo. Não levo mesmo’’Ana Carolina
As novas parcerias são uma história à parte. Com Chico César, um encontro em São Paulo para a compra de um novo violão rendeu a música “Mais Que Isso”. Numa loja de instrumentos, Ana cantarolava a letra que não tinha conseguido terminar cada vez que experimentava um violão. Ao saber que aquela era uma música inacabada, Chico se interessou. No mesmo dia, os dois foram para a casa do músico em São Paulo e, no dia seguinte, a letra estava pronta. “Foi uma parceria bem fluida, como se um tivesse se vestido do outro sem perceber”, conta Chico César.

Sintonia parecida aconteceu com Seu Jorge, com quem fez “Não Fale Desse Jeito” e “Beat da Beata”. A primeira, uma brincadeira do músico com o estilo “bateu, levou” da parceira. “O Seu Jorge diz que sou meio forte, grandinha, e que não levo desaforo para casa. E ele tá certo. Não levo mesmo”, diverte-se a cantora. Amigos desde a cerimônia do Prêmio Multishow em 2001, quando os dois abandonaram seus camarins para ficarem num outro, cantando sambas antigos de Donga e João da Baiana, Ana e Seu Jorge fizeram as duas músicas numa noite de bate-papo na casa da cantora.

Entrosada com os novos parceiros, a cantora ainda desfruta de prestígio com antigos ídolos. João Bosco, Maria Bethânia e Chico Buarque marcam presença no seu DVD, que tem ainda um show improvisado de Ana Carolina em pleno centro do Rio de Janeiro. “Foi como uma volta aos meus 15 anos em Juiz de Fora, quando tocava o dia inteiro com minha turma, na rua”, diz a compositora mineira.

No Rio de Janeiro há quatro anos, ela não esconde a forte ligação com a cidade onde foi gerada. “Minha mãe se mudou para o Rio para tentar se separar do meu pai. Só que ele vinha, dava flores, e o negócio ficou quente”, conta a cantora, que, pelo menos na cidade onde mora, já pode pensar em tentar uma nova carreira. “Faço telas para os amigos, até parede já pintei. Ainda não ganhei nada, mas daqui a pouco já posso fazer uma exposição”, finaliza, rindo, a pintora amadora.


Fonte: IstoÉ

Em casa e com a torcida a favor

O retrospecto é ótimo: 28 anos, 550 mil cópias vendidas de seus dois primeiros CDs, disco de ouro para o terceiro, "Estampado", e um DVD prontinho para sair do forno, recheado de participações especiais. É neste clima de "já ganhou" que a cantora Ana Carolina se apresenta hoje em Juiz de Fora, no show que abre a turnê batizada com o nome de seu mais recente trabalho, lançado em agosto.
"Estampado" é o disco mais intimista da cantora, que assina 13 das 15 faixas do álbum. É também o mais maduro e o mais elogiado pela crítica, que parou de compará-la a Cássia Eller. O repertório é uma mistura de ritmos, formatos e estruturas, e vai do samba-rock à bossa nova, passando até pelo tango.

O forte, desta vez, são as parcerias: além do sempre presente Totonho Villeroy, craques do porte de Chico César, Seu Jorge, Celso Fonseca e Vítor Ramil também deixam sua marca. Na produção, os cariocas Liminha e Eumir Deodato. "A Ana possui energia de roqueira com a busca pela harmonia da MPB", definiu o primeiro.

Radicada no Rio há quatro anos, Ana Carolina está de volta à cidade em que nasceu para entoar letras de tom confessional, como "Só fala em mim", "Encostar na tua", "Eu tô sozinha", "É mágoa" e "Elevador (livro de cabeceira)", primeiro single retirado do novo CD. A cantora saiu de Juiz de Fora em 1999, quando gravou o hit "Garganta", que também será interpretado hoje, mas com um arranjo um pouco diferente; assim como outro sucesso, "Quem de nós dois". A base do show será o tradicional voz e violão, com banda de apoio e quarteto de cordas. A apresentação - a primeira de uma maratona que só deve terminar perto do Natal - está marcada para as 21h, no Theatro Central.

DVD fresquinho e música para Bethânia

Ana Carolina vai aproveitar o show em Juiz de Fora para lançar o DVD "Estampado", descrito por ela como "um making of do disco, com participações especialíssimas". Morando no Rio, Ana fez contatos e colecionou admiradores do porte de Chico Buarque, Maria Bethânia e João Bosco, que dão as caras no DVD. Bethânia chegou até a gravar uma música da cantora e compositora mineira: "Pra rua me levar" foi escrita especialmente para a irmã de Caetano, em parceria com Totonho Villeroy, e está no CD "Maricotinha". Em "Estampado", o álbum, Ana faz a sua versão da música. "A música continua sendo da Bethânia, mas acredito que consegui dar a minha cara também", diz ela.

Outra pérola do DVD é um show improvisado da cantora em pleno centro da Cidade Maravilhosa. Apesar de juizforana de nascimento, Ana Carolina tem uma forte ligação com a capital carioca, onde descobriu um novo talento: as telas que enfeitam o encarte de "Estampado" foram pintadas por ela e serviram de inspiração para as músicas do CD.

Entrevista  Por Fabiano Moreira

Generosa com os parceiros de trabalho, educada e divertida, Ana Carolina, 28, já começou a conversa querendo reconhecer o repórter dos velhos tempos de Juiz de Fora e, durante a entrevista à Tribuna, fez questão de colocar a cidade lá no alto. Ela não se esquece dos momentos que viveu aqui, quando tocava pela UFJF ou pelas ruas do Bairro Granbery, onde morava.

Hoje, no Central, a alegria da gravadora BMG promete momentos inesquecíveis para fãs e amigos, como na canção em que todos os músicos tocarão pandeiro, sua paixão, e no samba que ela compôs e que será acompanhado por isqueiros. "Fiz a música em dezembro, mas parece coisa antiga. Então, em vez da caixa de fósforos, vamos de isqueiro, sinal dos tempos modernos." Fogo e luz para a nova diva da MPB, já gravada até por Maria Bethânia.

Tribuna - "Estampado" é o seu trabalho mais intimista, com letras de tom confessional. Algumas destas histórias foram vividas em Juiz de Fora?
Ana Carolina - Eu passei muito mais tempo em Juiz de Fora do que em qualquer outro lugar do planeta. As minhas maiores experiências foram vividas em Juiz de Fora. Tem algumas coisas que realmente aconteceram comigo nos últimos tempos, aqui mesmo no Rio de Janeiro, algumas historinhas que estão sendo contadas aí no disco, mas, logicamente, tem uma coisa de vivência e de elaboração de personalidade mesmo, convívio com amigos de Juiz de Fora que eu trouxe.
E a Ana Carolina que andava de violão embaixo do braço para a Ana Carolina de hoje? Mudou muito?
Não. Eu mantenho todos os meus amigos de Juiz de Fora. Mas, hoje, eu sei coisas que obviamente eu não sabia no início de carreira. Nunca esquecerei o meu primeiro gosto pela música, que sempre foi a coisa mais importante para mim. Apesar de estar no mercado hoje e ser uma pessoa que vende DVD e disco, o meu objetivo é não perder justamente essa Ana que você via andar nas ruas. Tanto que no meu DVD tem um momento interessante onde eu faço um show no meio da rua, no Largo da Carioca, sem anúncio. Eu tocava muito ali na Rua Antônio Dias, onde morei. Se a pessoa estivesse passando, podia me ouvir. 

E a Ana compositora? Amadureceu? Esse disco tem mais composições suas que os anteriores.
Esse é o disco mais autoral, mas o segundo também já era muito. Não é todo mundo que lança discos com tantas faixas como eu, sempre faço 15, 13 serem minhas é como se quase todo o disco fosse meu, até porque as duas outras músicas são do Totonho Villeroy, meu irmão, meu parceiro querido. A música de trabalho da Preta Gil, "Sinais de fogo", eu fiz quando estava terminando de gravar esse disco. Ainda ficaram dez canções de fora, que pretendo gravar no próximo trabalho ou mostrar para algumas pessoas que acho que têm a ver.
Quem você gostaria de ouvir cantando Ana Carolina, depois de Maria Bethânia, que já deve ter sido um prazer para você?
Sei lá, não tem uma pessoa exatamente. Agora você me pegou. Eu preferia deixar por conta do destino isso aí. Tomara que não demore a acontecer, porque é um prazer muito grande você ver a sua música interpretada por uma pessoa que você admira. Até hoje, as mulheres que interpretaram músicas minhas, como a Bethânia e a Preta, eu gosto muito das gravações.
E as parcerias? Como acontece esse processo? Com quem você gosta mais de trabalhar?
O trabalho de composição está sempre acontecendo, independente do que eu estou fazendo para a minha carreira. Trabalho geralmente junto, olho no olho. Não gosto de mandar fax e essas coisas. Agora, comecei a fazer uma música inédita com Jorge Vercilo que nem botamos nome. 
E como foi trabalhar com a produção de Eumir Deodato, que já pôs o dedo em discos impecáveis de Björk e Elis Regina?
As maiores pessoas são as mais simples. É um cara muito bacana, fiquei honrada. A gente chegou a conversar muito pelo telefone, ele em Los Angeles. Foi de irrestrita colaboração, queria saber o que eu queria exatamente nas músicas e nos arranjos. 
E desta vez vai ter canja sua em algum bar da cidade?
Pois é, eu adoraria lembrar meus tempos de bar em Juiz de Fora. Na verdade, fiquei ensaiando 25 dias direto sem parar, hoje (quinta-feira) estou completamente sem voz, estou aqui fazendo uns exercícios e tomando alguns remedinhos para melhorar. 
Foi uma loucura aquela última canja no Bar du Gil, né?
(Gargalhadas) Muito bom, muito bom. Pois é, vamos ver se rola mais uma vez.

Fonte: Tribuna de  Minas

Ana Carolina eleva a dor em seu novo disco

Pop, rock, MPB, romantismo, baladas, samba, bossa nova, embolada e até dance music.
Ana Carolina não faz cara séria só na foto.
Em seu novo disco,Estampado, a cantora mineira aposta
em músicas de carga emotiva muito forte, como É Mágoa.
“Neste disco falo de coisas que aconteceram,
de experiências, mágoas”, diz ela
Toda essa mistura cabe perfeitamente no caldeirão sonoro que Ana Carolina apresenta em seu terceiro CD,Estampado (BMG). Como explicar que tantas coisas diferentes cabem em uma pessoa? A pergunta é da própria Ana Carolina, e é ela mesma que dá a resposta.
“Eu acho possível que isso aconteça”, diz a cantora, em coletiva no Rio. “Por isso o disco tem esse nome. Faço canções diferentes, mas que cabem dentro de um mesmo tecido, como as cores. Não gosto de discos repetitivos. Estampado é um disco com texturas diferentes.”


Ana Carolina lança Estampado mais de dois anos depois de Ana Rita Joana Iracema e Carolina, disco que vendeu quase 500 mil cópias graças ao estouro do mega-hit Quem de Nós Dois, uma das músicas mais tocadas em 2001. Como aconteceu com a Anna Julia dos Hermanos, a Carla do LS Jack e a Festa de Ivete Sangalo, a execução maciça da música acabou esgotando a artista, que, para se reciclar, deliberadamente ficou um longo tempo preparando o novo trabalho. O resultado foi um disco com mais canções autorais – 13 das 15 faixas são assinadas por ela, sendo seis sozinha – e com mais emoção do que nunca.
“Me afastei bastante do trabalho anterior, fiquei muito tempo sem gravar. Precisava me esvaziar”, diz Ana Carolina, que, se em trabalhos anteriores gravou versões de ídolos como Chico Buarque (Retrato em Branco E Preto e Beatriz), desta vez preferiu gravar apenas canções novas – apenas uma não é inédita, Pra Rua Me Levar, que ela fez para Maria Bethânia gravar em Maricotinha. “Tive quatro regravações no primeiro disco, duas no segundo. Adoro, mas neste fiz uma coisa mais autoral, mais inédita, mais honesta.”

A cantora acredita que Estampado é o mais confessional de seus três CDs. “Antes eu usava mais a imaginação que a emoção. Neste disco falo de coisas que aconteceram, de experiências, mágoas”, diz Ana Carolina, que, inclusive, compôs uma música chamada É Magoa, repleta de sentimentos pesados como mostra a estrofe “Eu só não consegui foi te acertar o coração / Por que eu já era o alvo / De tanto que eu tinha sofrido / Aí nem precisava mais de pedra / A minha raiva quase transpassa / A espessura do seu vidro”.
Autora de verdadeiras “bombas” repletas de carga emocional como Garganta e Eu Nunca Te Amei Idiota, Ana Carolina destaca a balada que abre Estampado, Hoje Eu Tô Sozinha (“Hoje eu tô sozinha / Não sei mais se levo ou me acompanho / Mas se eu perder, eu perco sozinha / Mas é que se eu ganhar / Aí é só eu que ganho”), como a música mais confessional deste disco. “Eu adoro a solidão. Às vezes, quanto mais gente me cerca, mais me sinto só”, afirma a cantora.
A primeira faixa de trabalho, Elevador (Livro de Esquecimento) – música com levada roqueira, no estilo de Garganta, também composta por Ana – é outro exemplo de como a cantora usa as palavras para expressar seus sentimentos. Dona do polêmico refrão “Eu subo pro alto pra provar que é amor / Eu vou de escada pra elevar a dor”, considerado por muitos como um trocadilho primário, a música guarda estrofes agressivas como “Então me lanço, me atiro em frente ao seu carro / E aí você decide se é guerra ou perdão / Se na vida eu apanho, outras vezes eu bato / Mas trago a minha blusa aberta e uma rosa em botão” e “O tempo do passado tá em outro tempo / Lembrando de nós dois num instante que não pára / Viver é um livro de esquecimento / Eu só quero lembrar de você até perder a memória”.
Ana diz que a música é a sua cara. “Eu a escolhi para ser a primeira faixa de trabalho. É uma música verborrágica, reclamona, que mostra o meu jeito de viver, de me comportar”, revela a cantora.

Outra faixa que poderia ser considerada “baseada em fatos reais”, a embolada Vox Populi, mais uma canção autoral, é considerada pela cantora como uma brincadeira. Nela, Ana Carolina – que, como boa mineira, diz “ouvir mais que falar”, a ponto de se mostrar pouco à vontade na coletiva – aborda exatamente a mania das pessoas de falar da vida alheia, em versos como “O povo fala, o povo fala mesmo / Andam dizendo que eu meto a mão / Eu toco forte, eu furo o couro / Eu mando bala, eu meto a cara / Mas eu não fujo do combate”. “Muitas pessoas dão depoimentos bombásticos nos jornais, só para as pessoas falarem. E elas falam mesmo. As pessoas têm uma necessidade grande de comentar as coisas”, diz Ana, que, sozinha, compôs ainda Vestido Estampado, um samba meio bossa nova, e a balada romântica Encostar na Tua.


Fonte: EGO